Isso não é uam competição.
Essa frase me veio a mente após teclar por poucos minutos com meu ex-namorado... aquele... o aficcionado pelo Japão.
Eu raramente entro no msn quando estou na internet. Aliás... eu só entro no msn quando estou realmente chateada e não quero falar disso pessoalmente com ninguém. Eu queria apenas papeas e passar o tempo, assim, como quem não quer nada.
Ele puxou conversa. Eu aceitei, sem grandes pretensões ou sequer muita vontade. Parece que eu tenho um sexto sentido para essas coisas...
Sem recentimentos, eu tentava restabelecer um diálogo amistoso, descomprometido.
Ele me perguntou quais as novidades. Não tenho assim tantas novidades para contar. Minha vida anda numa situação permanentemente ótima... e não há do que eu ossa reclamar. Estou namorando aquele que acredito ser o homem da minha vida, tenho trabalhado muito, estou de casa nova, e tenho feito novos amigos.
Mas, ao invés de atualizá-lo da minha felicidade, fiquei com receio de magoá-lo com isso... justo ele que sempre foi dependente e depressivo.
Furtivamente, eu disse que se continuasse chovendo daquele modo, mofaríamos todos.
Ele disse que também estava chateado por causa da chuva, pois não dava para andar de moto tanto quanto ele gostaria. Ele disse que a chuva provavelmente iria estragar uma viagem a Juquehy, programada para este final de semana. Tentei motiva-lo e perguntei por que ele nao ia de carro. Ele disse que a namorada dele tinha carro, mas que além de Juquehy, estava nos planos dele ir a um salão de motos em Sao Paulo...
É claro que ele tinha que falar da namorada nova. Inclusive, a foto da japonesa horrorosa (juro que não é maldade, dor-de-cotovelo ou nada parecido, juro mesmo) estava estampada na foto do msn... Mas, até aí tudo bem, fico feliz por ele, que merece acima de tudo ser feliz e encontrar o amor.
Eu insisti para que ele não desanimasse dos planos e ele me disse que estava com planos para comprar uma outra moto, mais potente. A conversa não fluiu quase nada. Na verdade, fui fazendo a mesma coisa que fazia quando namorávamos, fui apenas deixando ele falar... e ele, claro, nem percebia minha falta de vontade em continuar com aquilo ali.
A conversa beirava algo interessante quando ele disse que em breve seria o batizado dele no motoclube, etc etc. Achei aquilo estranho, pois fazia um tempo que ele me falava das viagens de moto com o pessoal, no maior estilo "born to be wild"... tudo para provar insistentemente para mim o nascimento de um "novo ele".
Pra mim aquilo nao tinha a menor relevância, mas eu gostava de ouvir as histórias porque, quer queira quer não, é um mundo diferente do meu e isso por si só já desperta curiosidade.
Por fim, ele perguntou se eu tinha planos para o feriado.
Feriado? Ah, sim! Eu nem lembrava que teríamos feriado logo em breve. Mas, felizmente temos. Eu disse que "estávamos combinado de ir a Parati viajar no barco de um amigo". Eu disse extamente com essas palavras... não usei o termo "meu namorado", muito menos citei o nome dele... preferi deixar implícito.
Mesmo depois de tanto tempo de término, sei que o ex ainda guarda um certo rancor, uma certa mágoa disso tudo que passou... talvez não porque ainda goste de mim... certamente nem gosta mais... mas acho que é porque todo mundo fica com orgulho ferido quando é deixado para trás.
Tivemos nossos altos e baixos. Eu estava quase cometendo o erro de querer ressuscitar um relacionamento morto quando descobri que o ex saia com outra pessoa. Fiquei sem chão na ocasião. Chorei muito. Mas passou.
Conheci meu namorado atual e foi amor a primeira vista. Desde entao foram/são cinco/seis meses de felicidade. Ele me completa da forma que eu jamais imaginei que seria possível...
Estranhamente, uns tres meses depois do inicio de meu novo relacionamento, o ex me procura disposto a voltar. Disse que eu era a mulher da vida dele, que era o grande amor, que dávamos muito certo juntos, que combinavamos, etc etc... todas as coisas que todo mundo fala ou ouve quando quer voltar...
Fui forte. Eu estava feliz e apaixonada por outra pessoa.
Nossas vidas seguiram... e toda vez que ele me encontrava fazia questao de dizer que estava saindo com alguem. Como se fosse uma competição. Da penúltima vez disse que nao namoraria mais japonesa (mentira), porque a última havia tentado se matar depois do terninho. Ele disse que todos os amigos o advertiam da maluquice da menina, mas só ele nao via... achei a historia tragicamente cômica... a cara dele.. não ver algo tão evidente a todos.
E enfim, a vida seguiu novamente.
E para nao entrar em digressao, encontrei-o no msn... ele pergunando de meus planos para o feriado. Falei do barco. Ele se espantou, disse que eu estava "chique". Eu brinquei, disse que ele estava falando isso porque ainda nem tinha visto o barco.. um bichano enorme, todo de madeira reluzente.
Ele logo disparou: "a mulher também tem uma grana boa, mas ainda nao chegou nesse patamar de ter iate, helicoptero e tal... mas já tive o prazer de pilotar o porche 911 carrera turbo do pai dela, mas ele nao deixou eu passar dos 240km.. fdp"
Depois disso eu simplesmente perdi o tesao de continuar a conversa.
Era exatamente esse o defeito que mais me incomodava nele. Esse apego pelo dinheiro, essa importancia a uma coisa tao sem importancia, essa necessidade de mostrar que tem mais do que o outro...
Aquilo nao era uma competiçao de "quem tem o namorado mais rico"... besteira isso. Ridiculo!
Minha indignaçao virou sarcasmo e passei a mangar dele sem que ele percebesse...
Eu disse "nossa, parabens que vc averiguou a procedência dela! Andar com gente que nao tem porche é perda de tempo".
Ele riu, como eu sabia que faria.
Eu completei dizendo que achava que quem tem porche deveria ter preferência em filas de bancos, cartorios, comida a quilo... e que nao dava pra viver sem casa de campo, de praia, e casa na cidade... alias, todos deveriamos ter no minimo 3 casas".
Ele finalmente percebeu meu sarcasmo e disse que ele estava brincando, que gostava de luxo mas preferia ganhar tudo com o dinheiro dele. Eu concordei e acabou ali nossa conversa.
Depois fiquei me questionando... como pude gostar dele? É engraçado isso... quando algo passa.
Não sei pra todo mundo é assim, mas para mim, quando um amor passa é como se realmente não tivesse existido. Acho que é porque toda vez que um amor passa, eu morro. É como se eu morrece com o amor velho e nascesse com o novo... E olho para trás e não me reconheço mais...
Estranho isso.
Mas o fato é que passou... e estou dando graças a Deus.